Essa semana

O tempo passa e voa, quando realmente estamos comprometidos com algo que queremos o papo é outro, a tal labuta diária, na verdade como sociedade ainda estamos muito longe de um caminho pelo menos plausível, numa sociedade totalmente heterogênea, pensa-se só com o próprio umbigo, essa semana vi isto de perto, essa preocupação que as pessoas tem com outro, incomoda mais ascensão alheia que as vitórias próprias, a avareza é a ferramenta de uma sociedade do quanto mais miserável melhor, a injustiça é justificativa pra sermos melhores, criarmos subdivisões e raças que sempre serão os capachos, aonde se vive um sonho de estar sempre no andar de cima, o valores de uma sociedade onde o cidadão precisa ser melhor que outro por status.

A menção de capacidade será sempre difícil, mensurar o intangível é complicado, mais a analise de capacidade é a melhor alternativa, capacidade de indignar-se, capacidade de perdão, capacidade de luta, capacidade de viver... Essa tal capacidade é pra tudo na vida, então só os realmente capazes da transformação sabem o valor das vitórias, os realmente incomodados é que fazem a mudança, essa angustia em melhorar sempre é a mola propulsora, essa sede de destino, essa insistência em se romper a injustiça, os que não aceitam lastimar-se pra simples desculpa de perder, essa fé cega e Kamikaze, uma força que alimenta o espírito de quem não se dá por vencido antes do fim, mesmo que hajam batalhas perdidas, o sentimento de luta acalenta a consciência sã, nesses tempos em que corporações são socialmente responsáveis, o cidadão que não se respeita é um irresponsável social.
Seria leviandade não citar os com falta de capacidade, incapazes serão sempre o fruto apodrece o cesto, pela sua imobilidade, os perdedores nunca tem reação quando colocados a prova, o desânimo é a maior arma dos derrotados, a incapacidade é uma obra medíocre que vem estampada no contracheque.

Elomar

Cantiga do estradar
(Elomar)

Tá fechando sete tempo
qui mia vida é camiá
pulas istradas do mundo
dia e noite sem pará
Já visitei os sete rêno
adonde eu tia qui cantá
sete didal de veneno
traguei sem pestanejá
mais duras penas só eu veno
ôtro cristão prá suportá
sô irirmão do sufrimento
de pauta vea c'a dô
ajuntei no isquicimento
o qui o baldono guardô
meus meste a istrada e o vento
quem na vida me insinô
vô me alembrano na viage
das pinura qui passei
daquelas duras passage
nos lugari adonde andei
Só de pensá me dá friage
nos sucesso qui assentei
na mia lembrança
ligião de condenados
nos grilhão acorrentados
nas treva da inguinorança
sem a luiz do Grande Rei
tudo isso eu vi nas mia andança
nos tempo qui eu bascuiava
o trecho alei
tô de volta já faiz tempo
qui dexei o meu lugá
isso se deu cuano moço
qui eu saí a percurá
nas inlusão que hai no mundo
nas bramura qui hai pru lá
saltei pur prefundos pôço
qui o Tioso tem pru lá
Jesus livrô derna d'eu môço
do raivoso me paiá
já passei pur tantas prova
inda tem prova a infrentá
vô cantando mias trova
qui ajuntei no camiá
lá no céu vejo a lua nova
cumpaia do istradá
ele insinô qui nois vivesse
a vida aqui só pru passá
nois intonce invitasse
o mau disejo e o coração
nois prufiasse pra sê branco
inda mais puro
qui o capucho do algudão
qui nun juntasse dividisse
nem negasse a quem pidisse
nosso amô o nosso bem
nossos terém nosso perdão
só assim nois vê a face ogusta
do qui habita os altos ceus
o Piedoso o Manso o Justo
o Fiel e cumpassivo
Siô de mortos e vivos
Nosso Pai e nosso Deus
disse qui havéra de voltá
cuano essa terra pecadora
marguiada in transgressão
tivesse chea de violença
de rapina de mintira e de ladrão

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