Aos amigos da Bola
A desculpa do Brasil
Chega de Fantasmas! Se é pra lembrar 82... Que venha
um futebol mais encantador, temos que gritar pro mundo
que não temos medo de ser magistrais, inconseqüentes,
moleques. O futebol representa mesmo o imaginário
tupiniquim, as grandes pitonisas já têm a profecia e
todas vêm recheadas de culpa, da culpa se ganharmos,
da culpa se perdermos. O medo de parecer 82, só um
psicanalista não livraria os milhões de técnicos do
suicídio, afinal o tal psique suicidaria-se junto,
saberíamos que perdemos sendo o melhor, desfilando um
futebol lindamente refinado.
O melhor não combina conosco, precisamos da tragédia
alheia, um mercenário que nos iluda e venda a nação,
somos vitimas o tempo todo, nas vezes que ganhamos por
ser o ópio ou nas outras que perdermos por sermos
levianamente inconseqüentes, irresponsavelmente
Garrincha, trocamos a praticidade ganhadora pela
plasticidade das grandes tragédias. Passagens
históricas que nos levam ao Maracanaço de 50, os
Campeões morais 78, a Tarde triste de Sarriá em 82.
Sarriá sim... pra mim foi dessas tardes não entendemos
porque a bola é redonda, porque das outras tragédias
só conheço através do almanaque, o canarinho não voou
e deixou aquele gosto de cabo de guarda chuva, mais
foi tragicamente belo, esquecemos o paradigma ganhador
e nos encontramos com o canto letal da sereia.
Se assim fosse não acreditaríamos na possibilidade, ta
ligado... Acreditar que sempre é possível, que somos
os melhores e não há culpa nisso, somos falíveis, não
existe time invencível, mesmo os times dos sonhos já
sucumbiram, digo até mais... que se imitarmos 82
estaremos muito bem representados, na mesma galeria
está a “Laranja Mecânica†de Cruyff, a Hungria de
Puskas e outras seleções que tinham como compromisso o
verdadeiro Espetáculo, havendo a derrota saberemos
perder e na vitória nossa fiel e traiçoeira
companheira nos esbaldaremos, afinal não existe pecado
em ser o melhor, ainda mais 6 vezes.
Ficaríamos remoendo os números ao revés, resumiríamos
tudo num grande genocídio, o índice de desenvolvimento
humano é um detalhe restrito aos que estão do outro
lado da redoma. Violência, criminalidade, natalidade é
argumento pra banalizarmos a falta de capacidade
enquanto nação, a desculpa de pão e circo será sempre
a melhor que nós bobos da corte arrumaremos, somos tão
hipócritas que culpamos a seleção, maldita finta que
não transformou aquele moleque pardo em engenheiro,
por causa daquele golaço no final do jogo não houve
distribuição social, nem sei mais quantas tolices
poderiam se representadas. Futebol é uma paixão
mundial (menos nos USA).
Lembo
Não diria que Cláudio Lembo foi uma grata surpresa, ainda sendo ele conservador confesso, pessoa até apagada dos bastidores Brazuca, mais quem acompanha política sabe que é um estrategista, além dos tolos que ficam usando a estampa da tal gente bonita pra tecer analises pueris.
Admirei a coragem do Governador Lembo, na coragem em não trazer a hipocrisia comum aos homens públicos, principalmente os ocupantes de cargos executivos, porque mesmo o que exercem cargos dessa importância por segundos não tiveram a coragem de falar verdades, sempre existirá a desculpa da preservação da sociedade “da tal ordem pública”, estamos sim num tipo de sociedade que começa a engasgar, se não forem criados gargalos pra assimilar a massa o que aconteceu num espasmo pode se tornar rotina, existe uma falência do estado enquanto políticas comum de sobrevivência, alguns querem fingir que não existe uma elite dominante e não existe pessoas que estão fora da sociedade incluída.
Precisamos de homens públicos verdadeiros, chega do estelionato em nos rogarmos de bons moços, existem mazelas e precisam ser corrigidas, admitir que somos falíveis enquanto pessoa ou mesmo sociedade, acordar verdadeiramente desse sonho de gigante adormecido, vivendo a realidade e no máximo transformando sua dureza em coisas melhores, chega de fugirmos do plano real (natureza real muito mais que um simples engodo econômico).
Claro que o ocorrido não foi e nunca será justificável, porém com certeza a mascara de uma sociedade patética caiu.
Zoológico digital
EXCESSO!! Uma parada que complica esses dias, o mundo anda chato, na época da saturação de informações, um barulho de carroça terrível.
Realmente a era digital começa a torrar o saco, ainda tem o pessoal que não se manca, a bisbilhotagem institucionalizada com seus Paparazzis, pelo momento instantâneo da vida moderna deveríamos dar um tempo, quem sabe criar um filtro digital.
Ainda tem o pessoal incomodado, que tem no oficio da informação e julga que essa dádiva divina é permitida só aos semideuses da informação, a questão não são as letras nem os intermináveis leros trocados, porque besteira vem escrita de tudo quanto é lado, coisa como o tal direito adquirido.
Talvez seja dessa origem lusitana cartorial, desse dito feito pelo poeta “Quem nasce Zé, não morre Jhony”, a cabeça de capitania hereditária não evoluiu, os que querem trazer na origem as comendas, que enxerga sempre uma espécie de Andróide, nascendo sempre Porteiros, Empregadas Domésticas ou Marginais.
Escutei numa entrevista do Lenine que falava da “Miopia dos nossos governantes”, a miopia já começa a me incomodar porque penso que a sociedade não faz a sua parte, não é decepção é a conclusão que somos míopes mesmo, a cada discussão enchem-se de soberba gente que conhecem os fatos nas resenhas, não importando se de livros, periódicos, internet ou qualquer resumo básico.
Somos uma super espécie que sabemos de tudo, frutos da zoologia digital, onde se conhece a gastronomia Parisiense, o cheiro de esgoto das vielas, paspalhos fortes que brigamos e insultamos através do nosso conhecimento através do monitor, os mais velhos são mais fortes conhecem a história desde Aladim, vomitam Kant, enlouquecem com Kafka e pedem uma agua sem gás depois do café na hora ir embora.
Zona neutra
O melhor mesmo é tomar uma boa breja e conversar com amigos.
Ficar alimentando pensamento ruim é atraso de vida, ser um cidadão sem muitas pretensões, tomar uma agua pra curar a ressaca, um café pra acordar, o mundo segue seu curso, quem usa da hipocrisia como uma arma que se vire, se consegue olhar pro espelho e enxugar as lagrimas do fingimento, problema de gente que faz o estilo Juda. Ter a certeza de não querer prejudicar ninguém já é algo confortante, porque só a consciêcia limpa e a firmeza de carater constroem alguma coisa. Também tem uns que levam pelo humor das coisas, só que as é um tremendo humor sem graça.